É estranho como logo eu que dizia nunca entregar - me à alguém, deparar-me então assim, totalmente presa, totalmente dependente de um único ser […]. Como explicar a meu coração que devo partir, se a minha vontade é apenas permanecer exatamente onde estou? Como fechar-me em um mundo só meu, impedindo qualquer aproximação ou qualquer detalhe que faça-me dependente nata de você, você e apenas você? Quem dera eu se tivesse esse poder de saber exatamente o que fazer, quando fazer e o melhor de tudo, se devo realmente fazer. É algo que mesmo que pareça impossível, encontro-me em uma busca incessante por um um “jeitinho” de esquivar-me desses sentimentos. “Não, eu não preciso dele” ou “é apenas mais um idiota”. Porém meu coração não é tolo assim para ser passado para trás, ele sabe que sim, eu não só quero você, como preciso incansavelmente aqui, ao meu lado, e que por mais reais que minhas palavras possam parecer, você não chega nem ao menos perto de ser “apenas mais um idiota”, e sim “o meu idiota” […]. Reluto-me dia após dia dizendo a mim mesma que tudo não passará de apenas uma “paixãozinha” tola como outra qualquer, mas no mesmo instante deparo-me pensando nos beijos carregados de sentimentos, acompanhados de olhares tímidos e aparentemente apaixonados. Então como fugir de tudo isso? Como literalmente tampar o sol com a peneira e não entregar-me totalmente? Apenas um pouco de mim? Não, isso não seria possível. Pois você tem de mim o que quer, suga qualquer gotícula de sentimento que eu possa ter […]. A verdade é que sempre fui assim, resguardada demais, e não sei ao certo dizer se serei apenas mais uma, como tantas outras foram. Tenho medos que cegam-me inteiramente, sem saber o caminho a seguir, sem saber se devo acreditar que podemos fazer diferente ou se devo apenas arrancar o mal pela raiz, tirando de mim, qualquer sentimento que um dia você fez surgir. O difícil é que conforme o tempo passa, mais te vejo assim, dentro de mim. (poeta-ilusória) (en-fraquecidos)


Sinta-se livre para sofrer, o pior seria fingir a felicidade…ou não? Tenho para mim que não. Prefiro resguardar-me de sentimentos expostos, prefiro fechar-me em um mundo somente meu, em que ninguém precise saber o real motivo de minhas tristezas. Para que expô-las? Para que deixar-me inteiramente aberta como um livro inútil e entediante? Leriam apenas algumas páginas dela e jogariam em uma prateleira qualquer, como se nada fosse, ou até então fingiriam entender-me quando na verdade teriam apenas um sentimento de dó, pelo meu incessante sofrimento. Prefiro florescer em meu rosto o mais belo dos sorrisos e agir como se nada estivesse acontecido. Continuar vivendo, continuar sorrindo, continuar indo […]. Sem melancolia demais, sem entregar-me a esse desastre que encontro-me. Para que servir como exemplo a não ser seguido? Para que ser conhecia como uma “coitada” qualquer? Prefiro ser assim, ou melhor, fingir ser assim, do que demonstrar a todos o que realmente sou. Durona demais, fechada demais, fria demais. Ser impenetrável, um coração de pedra […]. E assim sou, perante todos, mas somente para eles. Um alguém que qualquer um daria tudo para ser. Mas o que não sabem é que na verdade, peço dia pós dia para sentir um pouco menos, não precisar viver essa falsa felicidade, e quem sabe assim passar a tê-la. É tudo o que eu mais quero. (poeta-ilusória)


E o que fazer com as palavras que não foram ditas? As promessas que não foram cumpridas? O “para sempre” que não foi eterno? […]. Isso é o que pergunto-me dia pós dia, e continuo não obtendo uma resposta se quer. Como deixar para trás tudo que um dia já me faz bem e hoje já não faz outra coisa a não ser mal? Deixar o passado no seu exato lugar e começar a viver o que realmente interessa-me? Não sei por onde começar, apenas sei que existe algo dentro de mim, gritando histericamente que a hora chegou. A hora em que minha vida deve realmente começar a fazer sentido. A hora que deixo de ser tão vulnerável, tão dependente, tão tudo[…] . Apenas sei que é preciso deletar raízes podres da minha vida, por mais dolorido que possa ser, ou aparente ser. Raízes que só serviram para mostrar-me que nada é do jeito que parece ser. Que qualquer ser humano nesse mundo é capaz de enganar-me friamente como se nada fosse. E que devo confiar em mim, e somente à mim e ninguém mais. Mas como encaixar tudo isso em mim tão rapidamente? Como começar a viver pela razão, logo eu que sempre deixei que a emoção falasse inúmeras vezes mais alto? Como implantar uma nova “eu” em mim mesma? Não sei. E parece que com o passar do tempo saberei ainda menos. Apenas sinto que é preciso, é dolorido demais viver assim […]. Dolorido viver sempre à sombra de todos, como um ser desprezível, fere demais, sabe? Chegou a minha hora. A minha hora de mostrar que também sei ferir, também sei falar pelos ventos e o mais importante de tudo, também sei tornar-me uma pessoa fria, impenetrável. Preciso começar a deixar de ser o alvo para ser o atirador, deixar de ser a vítima, para ser o culpado […]. É disso que preciso, sim. Preciso começar a ser algo que nunca fui, algo que nunca pensei em ser, para ver se assim começo a viver mais e quem sabe sofrer menos. (poeta-ilusória)


Solitária. Essa era a palavra que a definia. Em gênero, número e grau. Era a única palavra que não a abandonou todo esse tempo, a única e verdadeira, que permaneceu todo esse tempo ao seu lado […]. Ela sentia-se cada vez mais diferente das pessoas que à cercavam, sentia-se como um bicho de sete cabeças, fora de seu mundo natural, fora de sua vida real. Era como se cada palavra que a dissessem não fizesse parte de seu dicionário, ou que cada pessoa que andasse ao seu lado não pertencesse a sua espécie. Assim que ela realmente sentia-se, solitária […]. Conforme o tempo passava, a certeza de que esse mundo não a pertencia só aumentava e junto com ela, seu desespero. Um desespero incessante. Por quê logo ela? Por quê logo ela teria sido a escolhida para a solidão? Para o sofrimento? As vibrações conspiravam à sua derrota? Ou porque ela realmente não merecia atenção de uma alma se quer? Talvez por esse motivo a sua melhor escolha a ser feita seria não se aproximar de ninguém, e o mais importante de tudo, não precisar de ninguém. Por que precisaria? Para depois ser deixada aos ventos, sofrendo mais uma vez? E sozinha novamente. Somente sua dor e de mais ninguém […]. Talvez todos à julguem por ser assim, sempre sozinha, mas a verdade é que ninguém nunca soube que seu maior desejo era transformar essa solidão em alguém. Alguém que a fizesse enxergar que seu lugar era ao seu lado, seus mundos eram os mesmos, e que seu amor pertencia somente a ela e a mais ninguém. E que por mais diferente que ela pudesse se sentir perante as pessoas, ele estaria ali, para encaixá-la onde preciso fosse, para transformar toda essa angustia em amor. Estaria ali, se preciso fosse […]. Mas a solidão é egoísta demais para deixar algo se aproximar, ela a capta inteiramente, e leva consigo todas as chances de algum dia sentir-se exatamente no lugar em que deveria estar. (poeta-ilusória)


Tudo permanece em seu devido lugar… Os travesseiros ainda estão sobre a cama desfeita. As nossas roupas ainda estão pelo chão do nosso quarto. A penteadeira ainda está com os nossos pertences e o seu criado-mudo ainda está com o livro que você não havia acabado de ler. Na sala está tudo igual como da última vez que estivemos juntos nela. A cozinha está um pouco bagunçada, confesso, mas cada objeto está em seu respectivo lugar e eu estou sentada na sua poltrona preferida e ainda por cima estou afogando minhas mágoas e sentindo teu cheiro impregnado no meu corpo, nas minhas roupas e até na casa. Nossa casa que um dia já foi cenário de um grande amor, mas um amor que foi se desfazendo com o tempo. Se desfazendo com brigas que nunca terminavam em beijos e sim em lágrimas e suspiros incessantes […]. Sinceramente não sei dizer em qual parte eu pequei, em qual parte nosso amor deixou de ser “nosso”, para ser apenas “meu”. Será que amei demais? Cobrei demais? Ou será que apenas tenha se esfriado com o tempo? Certamente não sei dizer […]. Costumo olhar para nossas coisas, e nosso futuro vem à minha cabeça, como se ainda estivesse ali, logo à frente. Mas não, ele não estará mais a nossa espera, como eu imaginava que sempre estaria, intocável, inerte. O nosso futuro, o “meu” futuro, melhor dizendo, é algo coberto por uma névoa, em que a única coisa que enxergo é a mim mesma, sem um vestígio se quer do amor que já foi nosso. O irônico é dizer que nós “éramos” para sempre. Para sempre não deveria ser algo inteiramente eterno? Ou será que levei ao pé da letra demais o seu significado? Não importa. Você era meu para sempre, é meu para sempre […]. Por mais que nosso cenário de amor tenha se desfeito da pior maneira possível, ainda lembro-me perfeitamente o modo que você agarrava-me por trás, e dizia ao pé do meu ouvido, o quanto eu era linda quando estava brava, enquanto eu gritava histericamente sobre suas bagunças espalhadas pela casa. Ou até mesmo quando brigávamos incansavelmente e sem pensar duas vezes você dava o braço á torcer e como um sussurro trazia a paz em suas palavras: “para amor, vem cá, vai?”. Cada momento permanece inteiramente vivo em mim. Cada beijo, cada briga, cada sorriso e cada vez que meu mundo parava inteiramente quando nos amávamos […]. Ainda estou aqui, sentada em sua poltrona, sentindo o seu cheiro, e perguntando a mim mesma quando você verá que seu amor sou eu. Ou quando eu me tocarei que na verdade não sou seu amor, e apenas você é o meu. (poeta-ilusória) and (quase-surreal). (en-fraquecidos)


en-fraquecidos:

Eu me acostumei com a solidão. Agora ela é a minha melhor amiga. É com ela que eu divido os meus sonhos, as minhas decepções, as minhas tristezas, até as minhas poucas alegrias, enfim, a minha vida. Mas essa solidão já teve outro nome. E a propósito, o nome mais lindo de todos. O teu. Mas você preferiu nunca voltar daquela caminhada que fazias a poucos quarteirões daqui. Preferiu deixar-me à pegar carona com a solidão. E eu temia me acostumar com ela, vivendo praticamente onde você vivia. E de tanto nos encontrarmos eu acabei apegando-me à ela, a essa tal solidão. E ela simplesmente me convenceu a ficar aqui, te esperando voltar daquela incessante caminhada. Sem ir atrás de ti. Sem mover um dedo para que você voltasse […]. Era como se mesmo que involuntariamente você tivesse um poder sobre mim, que por mais relutante que eu aparentasse ser, tomava conta de qualquer poder de escolha que eu pudesse ter em mim. Era algo que clamava por você, ou melhor,suplicava prazeirosamente algo que só você poderia me dar. Algo que por mais que meu corpo encontrasse em outros, minha alma encontraria apenas na sua, e de mais ninguém. E ali fiquei, inerte, esperando que voltasse, voltasse para mim, talvez. E sim, poderíamos dar certo, poderíamos passar de apenas cenas imaginadas para algo real. Mas como demonstrar à você que eu estava apenas ali à sua espera? Como fazer você enxergar-me logo ali, parada, esperando apenas um pequeno sinal? Não, não era tarefa fácil a ser feita, mas eu estava disposta a entrar no jogo, se ao subir no pódio como vencedora, o prêmio ganho fosse você, inteiramente você […]. Estaria disposta a entregar-me novamente, mesmo que isso pudesse doer inigualavelmente, ou até mesmo reabrir um ferida que custou a fechar-se com o tempo, sim eu estava disposta. Queria eu, você, nós dois, nosso amor. Queria tudo que não podia alcançar, mas queria, até mais do que a mim mesma. Minha alma suplicava dolorosamente a sua […]. Mas novamente a solidão teve seu papel principal em minha vida, ocupando todos os lugares disponíveis nela. E todas as expectativas jogadas ao vento, como se nada fossem. E ali fiquei, esperando você chegar. Chegar de uma caminhada, do qual nunca voltara. (poeta-ilusória) and (quase-surreal)



É fácil, não é? Digo, é fácil me esquecer da forma que você me esqueceu. Para mim parece que sim, pois à apenas um tempo atrás, eu ouvia claramente você dizer que me amava, e hoje me esqueceu de tal forma que, quando passo por você na rua, você nem ao menos se lembra de mim, passamos como dois desconhecidos que se encontram na rua, como outro qualquer. Pensei que entre nós poderia ter dado certo, que seríamos como um daqueles casais felizes e românticos, mas… Eu estive errada de novo […]. E o que eu vou fazer com o vazio que permanece aqui dentro? Você sempre disse que se importava, mas começo a duvidar de tudo o que foi dito. Na verdade, eu não me recordo de uma palavra se quer que possa ter sido verdadeira, vindo de você. Quão inocente eu pude ser ao ponto de não perceber que suas promessas não passavam apenas de palavras quaisquer, ditas apenas no calor do momento, mas esquecidas assim que a chama fosse apagada […]. Eu estava ali, prontamente disposta a ser o fogo se preciso fosse, mas você friamente preferiu ser a água, e acabar com qualquer possibilidade que tínhamos de dar certo. Mas como poderia dar certo? Como poderia reproduzir algum fruto se as raízes já estavam totalmente podres? Não para mim, é claro. Mas para você estava mais do que evidente que não passava de uma “paixonite” qualquer, dessas que se tem todos os dias. Mas para mim não, era amor, era paixão, era amizade, era entrega, era sentimento […]. Como poder explicar à mim, à meu coração que bate milhares de vezes pedindo por você, que você não viria? Simples. Apenas fingir que não preciso de você, que não preciso do seu amor todos os dias para sobreviver, que sua falta trará melhoras na minha vida, que vou ser feliz sem você […]. Quando na verdade, o que eu mais queria, era ter você aqui, comigo. (poeta-ilusória) and (unbroke-n).


E mais uma vez a história repete-se […]. Para que mentir para si mesmo? Fingindo sorrisos que não são seus, quando na verdade a única coisa que você realmente pede, ou melhor, implora, é que as lágrimas não rolem em seu rosto perante todos. Compartilhando histórias, quando o que você mais queria era gritar da forma mais alta possível para que alguém pudesse salvá-la do precipício que sua vida encontra-se. E o pior de tudo, vivendo uma vida que não é sua, vivendo uma vida que não quer que seja sua, mas é, infelizmente é […]. Você tenta da forma mais dura possível manter-se impenetrável, inabalável, indiferente, e sim, você consegue passar essa imagem à todos. Mas à seu coração? ah, esse não, esse é esperto demais para ser passado para trás. Ele percebe cada dorzinha sua, por mais íntima e imatura que seja, ele reconhece cada ponto fraco seu e está apenas à espera de uma brecha para apresentá-los à quem quiser ver […]. Mas não, você não pode deixar que todos percebam que você também sente, também machuca-se e o pior de tudo também chora, sozinha… mas chora. E então você decide acrescentar em seu rosto, o mais belo dos sorrisos, a mais gostosa gargalhada que já foi ouvida, e assim passam-se dias, semanas, meses talvez […]. E pronto, todos enganados, todos passados para trás, missão cumprida. Mas somente dentro de você, como um segredo à sete chaves, você sabe como esses meses foram árduos, como pesaram, machucaram. E quantas vezes a sua única função diária era ser apenas o que queriam que você fosse, mas não verdadeiramente o que você é. Meses com sorrisos exuberantes, porém, acompanhados de choros incessantes divididos apenas com seu travesseiro, Deus e ninguém mais. Meses em que a sua única vontade era não ter mais vontade de nada. Em que não existia um caminho a seguir, apenas manter-se exatamente no mesmo lugar, sem mudanças, apenas esperando o próximo dia, que seria apenas como outro qualquer, indiferente […]. Mas como conseguir representar algo tão diferente do que realmente é? Como conseguir passar-se despercebida cada dor que carregava em seu dia-a-dia? Como conseguir não gaguejar uma vez que fosse perante todos? Como ser aparentemente inabalável? Talvez o erro tenha sido de todos, ou apenas você que saiba esconder perfeitamente bem […]. Mas a verdade, a pura realidade assim dizendo, é que nenhuma pessoa se quer olhou-a nos olhos, porque esse sim, por mais que o sorriso, as palavras, as gargalhadas dissessem o contrário, os olhos entregariam-lhe imediatamente, pois eles sim não mentem. Mas, mais uma vez seus olhos passaram-se despercebidos, e suas mentiras tornaram-se verdades propriamente ditas […]. Sim, bastava apenas um olhar para aquela pequena garota desmoronar-se. Mas ninguém foi capaz de perceber esse pequeno detalhe. E por mais sacrificante que fosse, sua vida continuou assim, exatamente do jeito que era, sorrisos diários e choros noturnos […]. E ela aprendera uma coisa, nunca olhar nos olhos de ninguém, nem um segundo se quer. (poeta-ilusória)